Punta del Este, no Uruguai

Vista da Península. Na parte superior da foto, o Atlântico, e na inferior, o Rio de La Plata

De uns tempos para cá, desenvolvi uma vontade grande de conhecer Punta e tentei ir convergindo os planos (e pensamentos) para que essa viagem desse certo o mais breve possível. A oportunidade chegou e embarquei nessa com muita empolgação.

Vou dividir o post em partes no estilo Jack, o Estripador, para tentar ser mais didática. 

Transporte

Realmente os sites e blogs estavam certos em relação à necessidade de ter um carro. Punta é tipo Brasília, as coisas são bem espalhadas e o transporte público deixa à desejar. 

Outra verdade é que no verão, na alta temporada, a frota de carros para aluguel de Punta se esgota então é bom garantir seu carro com antecedência. E várias cias colocam um limite mínimo de dias para o aluguel, tipo que você precisa ficar com o carro, no mínimo, sete dias. Talvez seja interessante alugar o carro em Montevidéu e ir dirigindo para Punta. 

Agora o que eu acho importante falar é que se caso você não queira alugar o carro, isso não será o fim do mundo. Não alugamos e também não morremos por isso. Conseguimos sobreviver bem com os ônibus (poucos mais existentes) e com as caronas tão comuns por aquelas bandas, principalmente com a galera motorizada do hostel. 

Mas a dica é ter um carro, com certeza facilita muito a vida em Punta. 

Quando ir

Eu já falei, e vou repetir: não ouse sair de casa para Punta se não for no verão, dezembro e janeiro, sendo as melhores semanas a do dia 25/12 até as duas primeiras semanas de janeiro. O calor é grande mas agradável por conta do vento, e anoite faz um ventinho frio (também pode chover esporadicamente). 

Fora da alta temporada faz um frio descomunal e ela vira uma cidade fantasma, simplesmente não vale a pena (na minha opinião). 

Hospedagem

O primeiro desafio de Punta é descolar a melhor região para se hospedar: na "Punta" ou mais "encima" nas margens do litoral. Eu li em trocentos blogs e sites e não conseguia chegar numa decisão, reservei nosso hostel meio que no "chute" (que foi bem dado) mas sabendo que não adiantava o esforço, só ia "entender" a cidade quando chegasse até lá. 

De modo geral dá para dividir Punta em: Punta Balenna, Península, La Barra, Manantiales e Jose Ignácio (claro que tem mais coisa, mas vou fazer essa macro divisão).

mapa resumido
Punta Balenna: é uma "pontinha" que está exatamente do outro lado da península de Punta. Chegamos por ali quando viemos de Montevidéu. É bem afastado e não é uma opção de hospedagem, apesar da Casa Pueblo estar lá. 

Península: é a pontinha mesmo do Uruguai onde se concentra o centro da cidade. É onde está a avenida mais movimentada, cheia de lojas, cassino e restaurantes, a Av. Gorlero. Também está o terminal de ônibus, a Playa Mansa, o Hotel e Cassino Conrad, a Playa Brava (com a escultura Los Dedos) e o Porto com as tradicionais baladinhas na frente. 

É uma opção de hospedagem ficar em qualquer local ali. Pelo que observamos, tem pessoas mais velhas e famílias, até pela concentração de prédios com típicos apartamentos de temporada. 

La Barra: a Ruta 10 é a rodovia que margeia toda a costa leste  uruguaia (do Atlântico) até chegar no Rio Grande do Sul, no Brasil. Pegando a ruta 10 na Península, logo após a Ponte Ondulada, está La Barra. Essa região é ótima pois tem a Playa La Barra, várias baladas e restaurantes bacanas. Também é uma boa opção de hospedagem. 

Manantiales: seguindo a Ruta 10, colado em La Barra está Manantiales que tem nada mais, nada menos que a famosa, badalada, agitada, fervilhante e animada Bikini Beach, o point da galera. Além de vários restaurantes maravilhosos e baladinhas "da hora". 

Foi aqui que nos hospedamos, e apesar da distância grande da península, não nos arrependemos. Nessa região parecia que o poder aquisitivo era ainda maior do que nos outros pontos da cidade, eram muitos carros de luxo extremo, casas de vidro, e um pessoal mais jovem. Além disso, também está lá o Mantra Cassino e Resort.

Ficamos no Hostel El Viajero Manantiales, essa rede também tem um hostel na península. Reserve a hospedagem com antecedência pois a cidade meio que lota na alta temporada. Apesar de mais afastado do centro eu, particularmente, adorei o nosso hostel e a localização dele. Ele tem um ar praiano que não senti quando passei em frente ao outro El Viajero, nós tínhamos piscina e uma área de convivência muito gostosa com redes, colchões de praia e churrasqueira. De onde o ônibus nos deixava até o hostel de fato, realmente era meio ruim porque era uma boa caminhada e ainda tem uma parte na rua de chão (andar isso com as mochilas nas costas no calor descomunal foi froid). Mas o melhor é era a proximidade da Bikini Beach.

No google maps aparece como Manantiales o hostel da península, mas não se engane que não é. O El Viajero Manantiales não está na península. 

Jose Ignácio: seguindo a mesma ruta 10, mas bem distante de Manantiales está Jose Ignácio. Não acho que seja o melhor local para se hospedar porque já é muito afastado de tudo, a não ser que você procure isso. Tem a Playa Brava e uma Playa Mansa, sendo que a Mansa bomba demais, com bastante ferveção e com um ótimo restaurante bem procurado. Está lá a Laguna Escondida, geralmente local onde são feitas as grandes festas, como nesse ano que teve a Hed Kandi.

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Agora voltando ao post no modelo padrão, fomos para Punta del Este de Montevidéu de ônibus e compramos essas passagens lá no Terminal Tres Cruces da capital uns dois dias antes, apesar de termos ido dia 30/12 (mega véspera de ano novo) foi muito fácil de comprar e achar disponibilidade já que existem muitas cia fazendo esse trajeto e consequentemente saem ônibus de 30 em 30 minutos. A passagem custou 218 pesos (R$ 30).

Descemos no Terminal de ônibus que fica na península e pegamos um micro-ônibus lá mesmo para Manantiales. Chegamos na hora do check-in e fizemos amizade com o pessoal do hostel. Por volta das 18h fomos para Bikini Beach pegar a balada e curtir o pôr do sol famoso (e digno de fotos espetaculares). A Bikini me lembrou muito Ibiza por conta da música eletrônica, porém achei que em Punta a festa era mais democrática pois além das espreguiçadeiras e bangalôs caros, a praia estava majoritariamente ocupada por cangas e cadeiras de praia particulares. Realmente era uma balada ao ar livre (com um culto ao corpo gritante), a moda era praia-chic e como as bebidas são caras muitos levam do supermercado e fazem a farofa etílica mesmo. Essa brincadeira ia todos os dias até umas 23h. Durante o dia as atividades não se resumiam à música eletrônica e paquera, tinha futebol, frescobol e o mar gelado sempre tava cheio de gente, de kite surfistas e afins. Point, o verdadeiro point do verano.

No dia 30 de dezmbro acontece, o que muitos consideram de "a melhor festa do verão de Punta, a Hed Kandi. Uma sunset bem famosa, inclusive aqui no Brasil, e que realmente é muito sensacional no universo. Esse ano foi na Laguna Escondida, em Jose Ignácio. Leia mais sobre essa festa aqui. Leia o relato sobre o ano novo aqui. 

No outro dia, confraternizamos com o pessoal do hostel, fizemos churrasco (e comemos linguiça de ovelha que estava muito boa por sinal) - dica: faça um churrasco porque a carne deles é tão boa que ficou maravilhosa até no nosso churrasco improvisado. E depois fomos nos preparar para a virado do ano que é um assunto para um post exclusivo. Resumindo fomos para Bikini Beach e depois para a balada Ocean Club. Foi super, chegamos em casa às 09h da manhã.

No primeiro dia do ano o tempo se fechou completamente e choveu torrencialmente por toda noite. A tempestade foi épica e já serviu pra gente "quetar o faixo" e pensar um pouco nas resoluções de ano novo.

Conhecemos o Mantra Cassino e aproveitamos para sacar dinheiro. Inclusive é meio difícil sacar dinheiro por aquelas bandas pois nem todos os caixas aceitam nossos cartões, o mais próximo era o do Mantra.

Anoite fomos conhecer o Cassino do Conrad (que não é muito grande) e também passamos na porta da Ovo (balada bombante) que custava cerca de 50 dólares para entrar.

Preciso dizer que nossa salvação (e de geral) para os preços salgados era o santo do mercadinho, não hesite em fazer muitas visitas e comprar muitos "souvenirs" nesse valioso ponto turístico.

No outro dia pegamos o ônibus em direção à península e passamos o dia todo por lá. Fomos na Playa Brava (banhada pelas águas do oceano Atlântico) que é brava mesmo. Lá está a famosa escultura de Punta chamada "Los Dedos". Durante o dia é bem disputada para fotos, então a dica é passar por lá na saída da balada que as chances de você tirar uma fotos com ela sozinha sem nenhum photobomb são imensas. Atravessando alguns ruas e quadras (três quadras) na direção contrária, está a Playa Mansa (com águas do rio de la Plata). A Playa Mansa estava mais bombada de gente até porque a praia é mais tranquila e um pouquinho mais quente.

Em frente a Playa Mansa está o Cassino e Hotel Conrad, ponto turístico de Punta. Depois fomos perambular sem rumo ali pela redondeza até chegarmos na Av. Gorlero que é a principal do centro. É bem movimentada e tem muitas opões de lojas, souvenirs e restaurantes. Também conhecemos a feirinha de artesanatos na praça. Decidimos ir assistir ao pôr-do-sol da Casa Pueblo (tão falado) e pegamos um ônibus no terminal para Punta Ballena que fica exatamente na outra ponta da Playa Mansa.

Da parada de ônibus até a Casa Pueblo é uma boa caminhadinha (a galera que não tem carro passa por isso). A Casa Pueblo fica num penhasco (estilo Grécia) e tem uma visão privilegiada do mar - lembrei muito das casas de Gaudí em Barcelona. É a casa (que se transformou em hotel, restaurante, atelier e museu) do artista uruguaio Carlos Vilaró. Custou R$ 20 (aceitava Real) e a melhor hora de ir é no fim da tarde para pegar o pôr-do-sol, onde todos vão para o terraço assistir o espetáculo da natureza de camarote, enquanto isso uma poesia escrita pelo próprio Vilaró é recitada no serviço de som. É de se emocionar! É imperdível o passeio e ainda é possível comprar ilustrações que são assinadas pelo artista que já está bem velhinho, tadinho. Na volta ventou muito e o frio nos atacou sem cerimônia, fomos para a parada e esperamos um tempinho pelo ônibus.

No outro dia fomos a Jose Ignácio de ônibus passar o dia. E que dia! É um pouco afastado mas vale muito a pena, deu para curtir a Playa Brava (meio deserta e com o peixe-boi morto) e depois fomos para a Playa Mansa que era o point da galera. Era uma praia com mais opções de barracas de praia, mas a maioria levava seus equipamentos praianos. Uma delas com puffs e bangalôs com música eletrônica e do outro lado uma mais "tranqs" pra quem queria menos agitação. Vi muitos jovens, mas também muita família. A água era fria para dedéu mas amamos o passeio. Paguei R$ 12 num milho cozido com muito gosto. Também vale a visita ao Farol de Jose Ignácio.

Anoite nos preparamos para curtir o Punta del Este Summer Festival com David Guetta que foi ali no rumo de La Barra e no outro dia almoçamos num restaurante no caminho de Bikini Beach e tomamos muito Clericó (dica: não peça o purê de batata deles que é pavoroso). Terminamos nossa viagem nas areias da Bikini, depois voltamos para o hostel para o check-out final pois nosso ônibus para Porto Alegre saia às 22:30.

Vou ousar chamar Punta de "a Ibiza da América do Sul". Foi o máximo! Aproveitamos muito e conhecemos pessoas maravilhosas. Se eu morasse mais perto, dirigiria de Brasília a Punta quase que todo verão, seguro. E agora ficou a vontade de voltar e fazer tudo de novo.


Sobre a night e baladas de Punta leia este post.
Sobre o reveillón em Punta leia aqui. 

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